Avenida Dropsie - A Vizinhança

05/02/2016


Eis a melhor leitura que fiz em janeiro!

Imagina o quão curioso é saber as origens do lugar onde você nasceu e cresceu? Em Avenida Dropsie, graphic novel publicada pela primeira vez em 1995, Will Eisner nos traz um punhado de tramas que se entrelaçam, como em uma novela das seis, dessas de época. Localizada em Nova York, Dropsie ganha vida através das histórias de seus moradores. 

Dividida em vários núcleos, que vão começando e terminando rapidamente, a HQ nos mostra como o ambiente influencia nas características e decisões de uma pessoa. Ao mesmo tempo em que esse determinismo molda o comportamento das personagens, estas também modificam o caráter da vizinhança, participando de sua fundação, desenvolvimento, queda e reconstrução. 

O fato de não haver um foco central e a personagem principal ser a própria avenida me remeteu muito a obra Cem Anos de Solidão, do Gabriel García Marquez. Ao invés de Macondo, a gente vê a pequena vizinhança Dropsie se tornar uma grande avenida, fruto de várias pequenas histórias que vão moldando suas características. 

A narrativa rápida faz com que você não consiga guardar exatamente todas as personagens na mente, mas na maioria dos casos, isso não é necessário. Elas passam pela história, deixam sua marca e saem, como se botassem uma sementinha na vizinhança e fossem embora. Deixo aqui uma das minhas cenas favoritas, que retrata bem a rapidez com a qual os acontecimentos são contados:


Outro ponto a ser levantado são os preconceitos retratados na obra, especialmente a xenofobia. Conforme novas pessoas chegam à vizinhança, antigos moradores sempre demonstram alguma repulsa. O curioso é que, com o passar dos anos, etnias que chegaram bem depois da fundação de Dropsie repetem os mesmos comportamentos xenofóbicos com novos moradores, o que é ilógico, tendo em vista que eles mesmos também são estrangeiros. 

Outra obra que a HQ me fez lembrar foi O Cortiço, de Aluísio Azevedo, devido à retratação realista de cada personagem, além do determinismo já mencionado anteriormente. Temos personagens que caracterizam muitos tipos da nossa "cultura de bairro", como a velhinha fofoqueira, por exemplo. Assim, sem esconder os defeitos dos que passaram pela Avenida Dropsie, o autor nos traz uma trama não-idealizada. 

Will Eisner encantou tanto o mundo dos quadrinhos, que em 1988 foi criado uma premiação com o seu nome, também conhecida como "Eisner Awards". Trabalhou até o último momento de sua vida, deixando um legado que até hoje inspira leitores.

Para saber o que eu li em janeiro, clique aqui


ISBN: 9758575323748
Editora: Devir
Páginas: não está explícito nas folhas (mas cerca de 170 -180)
★★★★

Onde comprar: Cultura  / Saraiva 

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