A culpa é do John Green

26 de dezembro de 2013


Se você já cansou de ver resenha dos livros do John Green pipocando por aí e está se perguntando por que raios os livros dele fazem tanto sucesso, eu vou te contar o porquê de eu ter virado seguidora fiel de titio João Verdinho. 

Fiquei pensando o que me prendeu tanto quando eu li A Culpa é das Estrelas e te confesso uma coisa: não foi o câncer, nem o enredo, nem o começo, nem o fim, nem mesmo a capa. Não foi conteúdo desse livro que me encantou, porque o mundo literário e cinematográfico já tá cheio de Jamies Sullivans fazendo a gente chorar até o rim pelos olhos. 

Pra falar a verdade, eu mal sabia do que o livro se tratava quando usei o dinheiro que vovózinha me deu de aniversário na Saraiva. Comprei por pura curiosidade - e um gole de ansiedade também - porque eu queria saber o que tinha de tão especial naquelas páginas tão elogiadas. 

O que fez desse livro tão especial pra mim foi o jeito como o autor escreve, pegando as palavras para dançar e as conduzindo de um jeito único... Fazendo a gente rir e chorar (aliás, sem muito esforço). Ele poderia escrever até biografia pro Zeca Pagodinho e eu tenho certeza de que ele daria vida aos parágrafos de um modo impecavelmente criativo.
"O Augustus me perguntou se eu queria ir com ele à reunião do Grupo de Apoio, mas eu estava muito cansada, depois de passar um dia inteiro ocupada Tendo Câncer, por isso declinei do convite.'' (página 118)
Hazel Grace, uma garota de 16 anos (LINDA MARAVILHOSA INCRÍVEL CASA COMIGO TUDO SEM VÍRGULA), narra através das 288 páginas como sua vida se tornou após conhecer Augustus Waters - o Gus - que tem um ano a mais que ela, mas não menos sarcasmo. 

Esse é o tipo de livro que olha pra mim antes de dormir, fumando um cigarrinho maroto, com cara blasé e diz:

- Querida, você não vai dormir agora... Você vai me ler.

E não dava pra ler só duas páginas. Ao mesmo tempo, eu queria ter lido mais devagar, pra não acabar tão rápido, mas não deu. Impossível. Só sei que quando eu terminei esse livro, eu parecia a Rose no final de Titanic olhando a estátua da liberdade, com cara de "mas que droga... vivi momentos maravilhosos, achei que não iam acabar nunca e agora estou aqui, no meio do Atlântico Norte, com essa droga desse Coração do Oceano nesse casaco ensopado e chateada."

"- HAZEL! HOJE É SEU TRIGÉSIMO TERCEIRO MEIO ANIVERSÁRIO!

- Ahhhhh! - falei. Minha mãe era totalmente adepta da prática de maximizar celebrações de datas comemorativas. HOJE É O DIA DA ÁRVORE! VAMOS ABRAÇAR ÁRVORES E COMER BOLO! COLOMBO TROUXE VARÍOLA PARA OS NATIVOS DA AMÉRICA; PRECISAMOS FESTEJAR A DATA COM UM PIQUENIQUE! etc. - Já que é assim, feliz trigésimo terceiro meio aniversário para mim - completei." (página 42)

Eu poderia dividir esse post em 3, simplesmente porque não consigo parar de escrever, mas deixo pra você mergulhar nessa história (isso soou muito Sessão da Tarde) e ver de perto o que eu tô te falando. Se não tiver uma vovó bacana que te dê um dinheirinho de aniversário (um salve, vó), pega emprestado, lê pela internet, rouba do amigo, vende cocada no semáforo, TE VIRA, mas não morra sem ler esse livro. 


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Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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