Dom Casmurro, meu xodózinho

25 de outubro de 2013

A gente é obrigado a ler na escola como se isso fosse um castigo, o que faz com que muito aluno tenha ódio mortal do Machadinho. Os professores querem nos mostrar uma linguagem diferente, que era muito comum antigamente - até mesmo um português de Portugal do século XIX - pra muita gente que nunca leu nem Chapeuzinho Vermelho. A desculpa é a mesma: o aluno tem que saber as obras antigas.

Mas hoje, quebrando esse conceito sem lógica que a escola nos impõe, vim aqui contar rapidinho pra vocês o quanto eu amo DOM CASMURRO (felicidade saltitando aqui, pera gente).


Li esse livro pra aula de literatura no segundo ano - se não me engano - do médio e me apaixonei. O único momento ruim da leitura foi no ônibus, quando o senhor que tava ao meu lado me soltou o spoiler mais inconveniente da história literária, que não convém ser dito aqui.

Gente, o Bentinho é a coisa mais realista desse mundo. Sendo o narrador personagem, nos mostra mil e uma coisas que se passam na cabeça dele, principalmente inseguranças. Ele e Capitolina - a nossa diva Capitu - passam a infância juntos e é a partir dessa relação de amizade que a história se cria.

O objetivo dele é atar as duas pontas da vida, ou seja, narrar sua história desde a infância até a velhice. Por isso, um recurso usado é o famoso flashback, nos proporcionando uma intensa viagem no tempo. 


Se você não sabe nada sobre esse livro, não procure o porquê do título, nem debates polêmicos sobre a trama, se não perde a graça de ler. Bom mesmo é ler do começo ao fim e ir descobrindo coisas por si só, ao mesmo tempo em que tenta desvendar o que se passa na cabeça do tal do Bentinho.

Para os interessadjinhos, há uma minissérie que foi transmitida pela Globo e que eu, particularmente, amei (dá até pra acompanhar com o livro na mão). As personagens foram hiper bem interpretadas, na minha opinião, e as cenas foram fielmente retratadas. E a trilha sonora com Elephant Gun, do Beirut? Perfeito.


Aqui vai o teaser pra vocês:

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve.

Quanto detalhe lindo pra falar de um olhar... (suspirando)


É sério, minha gente, vocês vão se apaixonar. Depois que virarem a última página saberão que leram uma história encantadora e eternamente enigmática.


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Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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