Amor de perdição

15/05/2013

Eu sou daquelas que ficava com os olhinhos brilhando durante as aulas de Literatura, quando o assunto era Ultrarromantismo. Mas também eu sou daquelas que ria quando lembrava que o tal do Álvares de Azevedo morreu porque tinha caído de um cavalo. 

Acontece que resolvi ler Amor de Perdição, do Camilo Castelo Branco, há alguns dias, muito tempo depois de ter terminado a escola. Constatei por meio de atestado médico e tudo mais que sofro amorosamente de amor por histórias de amor... Especialmente as dramáticas, cheia de nhénhénhé e com direito a dor no coração e tudo mais.

(lápis + marcador de páginas do Museu do Café daqui de Santos... 
Vir a Santos sem tomar o sorvete de café da Bolsa é perder viagem, 
deixo a dica)

A história começou meio "Um amor pra recordar", porque Simão, um rebeldezinho do século retrasado, largou as confusões de lado quando se apaixonou pela vizinha Teresa. Eles se viam apenas pela janela, uma vez que suas famílias eram rivais de gerações e não aceitavam qualquer tipo de aproximação entre membros de uma e da outra. Aí a trama mergulha num "Romeu e Julieta" e no seu trágico amor impossível. 

Simão vai a Coimbra para se formar, prometendo voltar depois e casar com Teresa, tudo debaixo dos panos. Acontece que o segredo dos dois acaba indo pro precipício e o pai da jovem começa a interferir em sua vida, ameaçando botá-la num convento se não se casasse com seu primo Baltasar (aquele nojentinho, argh). 

Sabendo do absurdo, Simãozinho ex-rebelde e atual apaixonado, volta a Viseu, cidade onde morava, prometendo recuperar sua amada (lê-se fazer um sequestro a favor da vontade da vítima). Para isso, fica hospedado na casa de um ferreiro gentil, o João da Cruz, que tem uma filha chamada Mariana. Conta também com a ajuda de uma mendiga, que vira o "carteiro" dele e de Teresa.  

"Ama-me assim desgraçada, porque me parece que os desgraçados são os que mais precisam de amor e conforto..."
(trecho de uma das cartas de Teresa a Simão) 

Em linhas cativantes, a trama prende a atenção dos amantes de histórias românticas, decifrando os sentimentos de ambos os protagonistas que queriam apenas se amar, mas eram a todo momento impedidos por regrinhas sociais e mágoas doentias entre suas famílias. E, para tornar a história ainda mais enrolada, Mariana se vê apaixonada por Simão, que, cego em seu amor por Teresa, não enxerga tal sentimento. 

Mesmo sendo escrita no século dezenove, a obra reflete nos dias de hoje, pois ainda há nesse mundo tão globalizado, pessoas que são contra o amor de outras, seja qual for o motivo. Além disso, vivemos numa sociedade atrasada, onde é muito difícil encontrar alguém para amar livremente. Há padrões ainda sim e o mundo implora para que os quebremos, antes que as oportunidades de amar alguém desapareçam por meros caprichos ultrapassados.

"Não há baliza racional para as belas, nem para as horrorosas ilusões, quando o amor as inventa."

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Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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