12 de julho de 2016

Sobre sofrimento no supermercado

Quando a seção de "coisas para a casa" do mercado te interessa mais do que a de livros, você está automaticamente apto a receber a carteirinha de 'bem vindo ao mundo adulto'. Não que adulto não leia ou não goste de umas almofada com estampa da Frida Kahlo, mas meus amigos, vocês já viram aqueles potinhos escrito "arroz", "açúcar", "café"? E aquelas energia positiva das cestinha organizadora pra armário de cozinha? Vocês também sentem? 

Fui ao mercado fazer a-compra-do-mês-que-nunca-dura-o-mês, toda feliz porque adoro comprar comida. Quando risquei todos os itens da lista, fui em direção ao caixa, mas, no caminho, me deparei com uma parte do mercado que eu nunca tinha visitado antes. É tipo aquelas partes cinzas do mapa do vídeo-game, sabe? Resolvi entrar.

JAMAIS FAÇAM ISSO.

Sabe o que é ousar pensar na ideia de trocar o macarrão por um potinho com tampa de coruja? Sem falar em todos aqueles utensílios que você nem sabe pra que servem, mas que te olham de um jeito sedutor como quem diz "me compre, me compre!", e você sabe bem o quão provocador isso pode ser. Olha, nem vou entrar no assunto dos equipamentos hiper-modernos-caros todos coloridinhos com cores verde-turquesa-azul-água-vintage que você aperta o botão e sai pão, mexe suco, corta legume, ferve água, te faz chorar e desgraça sua vida.

8 de julho de 2016

Texto que encontrei perdido no computador

Adoro o modo como você sorri pra mim, parecendo criança, quando me vê; adoro quando me ouve ler trechos dos livros que gosto com atenção, tentando interpretar aquelas palavras mesmo sem ter fumado nada e me ouvir dizer depois "eu só achei bonito, não precisa entender não".

Também gosto quando você me abraça quando dorme comigo, como quem quer me acordar, e eu, num tom de voz rouco e sonolento, viro pro lado e te digo "migo, só mais 5 minutos". Ou quando eu vejo tv te fazendo cafuné, falando sobre minha mudança pra Floripa, sobre minha aula de biologia ou sobre meus amigos e, quando percebo, você já tá meio que, assim, dormindo.

Sempre amei o fato de não ligarmos pra datas e, às 23h56 de uma quinta-feira, perceber:

"meu, hoje a gente faz 3 meses"
"sério?"
"é, mas voltando ao assunto do trabalho da faculdade, eu acho que eu deveria ter usado aquele (...)"

Às vezes, a gente espera a vida inteira pra algo bom finalmente acontecer e é simplesmente incrível notar quanta coisa boa aconteceu em uma semana. É tipo coisa de filme, sabe, só que sem aqueles finais utópicos e tal. Sei que hoje posso te chamar pra assistir Mogli comigo aqui em casa, mas não faço a menor ideia do que vai acontecer daqui pra frente.

"manie, você tá indo embora... como vão ficar as coisas?"
"do jeito que sempre ficaram."

Nunca precisamos de certeza alguma.